Você sabe o que é qualidade?

 

Por Eng. Claudio de Almeida

 

Na linguagem do dia a dia, é comum se ouvir dizer: Olha a qualidade desse produto, desse acabamento, etc., se referindo à algo que foi muito bem feito.

 

Quando se compara 2 produtos, costuma-se dizer que o melhor deles tem mais qualidade que o outro.

 

Por exemplo: Qual carro você acha que tem melhor qualidade: Um Camaro ou um Uno?

 

Certamente a maioria diria que é o Camaro.

 

 

 

Mas a definição de qualidade não é essa...

 

Nos inúmeros treinamentos  e programas de qualidade que já participei, qualidade era sempre definida como:

 

Qualidade é conformidade às especificações

 

Essa definição, a mais adotada pelos programas de qualidade, é de um autor chamado Philip Crosby

 

"Philip Bayard Crosby. "Phil" Crosby (Wheeling, 18 de junho de 1926 - Asheville, 18 de agosto de 2001) foi um empresário e escritor americano que contribuiu para a teoria da gestão e métodos de gestão da qualidade.

 

Phil Crosby está associado aos conceitos de "Atitude Erro Zero" e "Fazer certo da primeira vez".

 

Para ele, qualidade significava conformidade com as especificações, que variam conforme a necessidade do cliente."

 

Fonte: Wikipedia

 

"Atitude Erro Zero" e "Fazer certo da primeira vez". Quem já assistiu meus treinamentos sabe que eu sempre menciono essas duas frases...

 

Mas, voltando ao conceito de qualidade e respondendo à pergunta feita no início deste artigo: Tanto o Uno como o Camaro têm qualidade, porque ambos atendem às especificações dos seus fabricantes.

 

Ah, mas o Camaro é muito mais potente, chega a 325 Km/h! O Uno não chega nem perto disso!

 

E daí? Por acaso o manual do Uno diz que ele tem que atingir a velocidade de 325 Km/h?

 

Não, o fabricante especifica que ele chega a 157 Km/h. E ele realmente chega. Então ele atende as especificações, da mesma  forma que o Camaro.

 

Qualidade é adequação ao uso

 

Já Joseph Moses Duran dizia que "Qualidade é adequação ao uso".

 

Por exemplo, você precisa de um carro para trabalhar.

 

Você compraria um Camaro, que faz 5,6 Km/l na cidade, instalaria uma escada em cima, e iria com ele executar suas obras?

 

Certamente que não. Sua melhor escolha seria o Uno, que é mais econômico e mais resistente para esse tipo de  uso.

 

Mas se você fosse participar de uma competição de velocidade, certamente escolheria o Camaro.

 

Assim como você não escolheria nenhum dos dois para fazer trilha. Nesse caso, certamente um Troller seria a melhor opção.

 

Falando sobre testes comparativos

 

O que me inspirou a escrever este artigo foi a publicação de certos testes comparativos entre cabos coaxiais de várias marcas, que foram publicados recentemente nos grupos do WhatsApp que participo.

 

O teste feito comparou três cabos coaxiais de mercado quanto à sua resistência ao fogo, colocando-os sobre uma boca de fogão acesa.

 

E os cabos que não passaram no teste foram duramente criticados.

 

O problema desse teste foi que ele comparou um cabo especificado pelo seu fabricante como sendo antichama , contra outros dois cabos, cujos fabricantes nunca afirmaram que eram antichama.

 

Ou seja, o teste simplesmente constatou que cabos que não foram especificados como sendo antichama, realmente não são antichama (!).

 

Resumindo, um teste completamente inútil e sem sentido, pois os cabos que não passaram no teste nunca tiveram a pretensão de ser antichama e, por isso, não foram especificados assim.

 

O resultado verdadeiro é que os 3 cabos testados passaram no  teste, pois todos atenderam as especificações de seus fabricantes.

 

Um teste tão sem sentido quanto colocar um Uno, original de fábrica, lado a lado com um carro blindado e, após  disparar vários tiros de 38 contra os dois, dizer que o Uno é o pior dos dois, porque não é à prova de balas...

 

Já com referência ao segundo conceito, "Qualidade é adequação ao uso", certamente os dois cabos que não são antichama não devem ser utilizados em uma situação que  exija um cabo antichama.

 

Em outras situações, os três cabos podem ser utilizados.

 

O teste de produtos é uma atividade que requer, além de  conhecimento e experiência no assunto, grande responsabilidade e profissionalismo.

 

Principalmente quando os testes são comparativos, é recomendável comparar-se produtos com especificações semelhantes nos quesitos que estão sendo testados.

 

E isso sempre deve ser feito de  forma totalmente imparcial, sob o risco de se denegrir injustamente a imagem de um produto ou fabricante, o que pode até acarretar em um processo judicial por difamação contra o autor dos testes, caso consiga se provar que os testes feitos foram falhos ou tendenciosos.

 

Conclusão

 

No fim, tudo gira em torno de se obter a melhor relação custo/benefício: Não é necessário utilizar-se um cabo com proteção antichama, provavelmente  mais caro por oferecer esse recurso, em uma situação onde um cabo ser antichama não é um pré-requisito.

 

A decisão mais inteligente é sempre procurar oferecer um produto que no mínimo atenda as necessidades do seu cliente, para que ele  possa afirmar que você executou um trabalho de qualidade, pois você atendeu as especificações do projeto e as necessidades desse cliente (adequação ao uso).

 

Veja outras dicas aqui

 

Mar/2019

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